quarta-feira, 9 de setembro de 2009

"A sós"


Vou ver a solidão mais uma vez e não voltar...
Ficar-me apenas deslocado ou deslocada...
Vou passear me entre vós entre nós... sem saber o porquê.
As horas volvem e envolvem
Não existe um andar, ou uma estrada...
Tudo são os momentos em que não nos vemos...
Em que fechamos os olhos e passeamos, contra o tempo...
E deixamo-nos sós à mercê de um fado,
E apenas ecoa a solidão para te me ouvir entranhada.
Tudo são desistências quebradas e deixo-me ficar sentada
Sem que me vejas angustiada.
Não preciso, mas desenho-te discretamente,
Por entre a janela que observo o mundo,
Loucamente lúcida neste segundo...
Porque o tempo é a relatividade rica que podemos mudar...
Pára por um bocado e vem me despertar...
Porque a solidão passou já num destino
Levado pela carruagem em que não quis entrar.

(Poema escrito com base na fotografia "Solidão - Braga 2007" de Pedro R. Ferreira)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Que vagas tolices de uma cabeça tão tola

Que vagas tolices de uma cabeça tão tola

Que falas despropositadas de mim

Se já nem sinto que me sou, não me sinto assim.

Não me resta mais noite p’ra edificar

Todas as ligações deste ser me vazio

Se me bastei cansada de me procurar

Se me finjo besta por mais um dia

Se me calho de ver cega, a sadia, a andar

Se me desejo desdobrar em dois diabos

Reencarnar-me novamente

E ser-me diferentemente

Fingir que meu coração não sente

Ser uma alma puritanamente crente

Por entre olhares adormecidos

E por entre sonhos escondidos

Numa diluída performance desconstruída

Ensaiar-me aos bocados, mais?

Num diluído quotidiano mordaz

Dar-me mais um dia, tal puta, p’ra quê?

Não me peças,

Que se te sinto a alma só por mais um segundo,

Se te sinto só, mais ferve o sangue,

Tremo tendo vontades.

Que tolices que se me varrem se me não pedires,

Delírios cinematográficos,

Que temo tanto mais quanto mais desejo

Pede-me então, só de uma vez,

Or leave me alone eternally.