Que vagas tolices de uma cabeça tão tola
Que falas despropositadas de mim
Se já nem sinto que me sou, não me sinto assim.
Não me resta mais noite p’ra edificar
Todas as ligações deste ser me vazio
Se me bastei cansada de me procurar
Se me finjo besta por mais um dia
Se me calho de ver cega, a sadia, a andar
Se me desejo desdobrar em dois diabos
Reencarnar-me novamente
E ser-me diferentemente
Fingir que meu coração não sente
Ser uma alma puritanamente crente
Por entre olhares adormecidos
E por entre sonhos escondidos
Numa diluída performance desconstruída
Ensaiar-me aos bocados, mais?
Num diluído quotidiano mordaz
Dar-me mais um dia, tal puta, p’ra quê?
Não me peças,
Que se te sinto a alma só por mais um segundo,
Se te sinto só, mais ferve o sangue,
Tremo tendo vontades.
Que tolices que se me varrem se me não pedires,
Delírios cinematográficos,
Que temo tanto mais quanto mais desejo
Pede-me então, só de uma vez,
Or leave me alone eternally.
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